Rapsody é uma mc que representa. A jovem cantora da Carolina do Norte/EUA assinou com o lendário produtor 9th Wonder da Jamla Records e está crescendo como uma dos rappers mais completos e criativos de sua geração. Isso pode soar como um elogio exagerado, mas seu álbum She Got Game confirma suas habilidades. E ainda conta com a participação de nomes de peso: DJ Premier, Chance the Rapper, Mac Miller, Raekwon e outros.

Confira nossa entrevista para conhecer um pouco mais sobre a garota que está conquistando o mundo do hip-hop.

Pulse: Você acaba de lançar o álbum She Got Game, que é uma referência óbvia do filme He Got Game. Qual mensagem você está tentando passar com esse título?

Rapsody: She Got Game é uma referência de um dos melhores filmes de Spike Lee, e 9th Wonder quis brincar, se referindo a mim como “Shesus Shuttlesworth”. A ideia básica foi me destacar como algo fora da caixa, isso por causa do meu sexo, que me separa do restante dos rappers. Quero mostrar que posso me igualar aos caras e sou tão habilidosa quanto eles. Essa também foi a razão para refazermos a imagem de Cheryl Miller na cesta de basquete, pois ela foi uma das melhores jogadoras e membro da liga masculina de basquete. Quero dizer que não importa seu sexo, ou você canta ou não.

P: Sempre há uma música de trabalho que o artista usa para divulgar seu álbum. Por mais difícil que isso possa ser, qual canção de She Got Game você escolhe e por quê?

R: Essa pergunta é difícil mesmo, mas eu escolheria My Song, que tem participação da Mela Machinko. Essa é a faixa mais pessoal do álbum, na qual eu falo de assuntos que estão sempre rondando minha cabeça: a comparação com Lauryn Hill, as frustrações familiares e nos negócios e muito mais. Mas, estou confiante que se continuar focada e trabalhando duro tudo irá terminar bem.

P: Já se passaram três anos do lançamento de sua mixtape Return of the B-Girl, que foi o momento em que você, de fato, entrou para o mundo do hip-hop, certo? O que mudou desde então?

R: Desde que lancei Return of the B-Girl muita coisa mudou para mim, especialmente no que diz respeito a meu crescimento, minha marca e meus fãs. Em termos de som e tom, aprendi muita coisa em cada projeto. Encontrei meu som, minha voz e esculpi meu espaço. Estou muito mais confiante e todo o processo foi muito natural. O crescimento musicalmente era a coisa mais importante, todo o resto foi apenas um reflexo disso.

P: Tanto como artista que quer transformar sua arte em carreira e tanto como mulher de negócios, quais lições você tem tirado disso tudo?

R: Uma das maiores lições que aprendi é a importância de ter uma marca e criar algo que um fã ou consumidor possa confiar. Podemos falar de música, refrigerantes, sapatos ou qualquer outra coisa, se sua marca é honesta e de qualidade é porque está no caminho certo. Dentro disso, aprendi que é preciso tempo e paciência para conquistar a confiança do mercado e para que seu produto tenha longevidade é necessário uma base forte. Por fim, dê importância às decisões e relacionamentos, sempre seja um profissional respeitoso. A tecnologia tornou o mundo muito menor do que é e os mercados em que atuo são ainda menores, então você quer ser reconhecido como um dos melhores em tudo o que faz.

P: Muitos artistas tentam evitar o rótulo de “modelo”, mas parece ser algo que você abraçou, né? Você se sente responsável pela próxima geração que vem por aí?

R: Definitivamente, sim. Faço música porque amo, mas também sei que ao crescer e tomar uma posição de prestígio tenho poder de mudar minha vida e influenciar os outros. Muitas vezes penso sobre minha própria infância e a influência que minhas referências (Lauryn Hill, Jay- Z, Nas, MC Lyte e Queen Latifah) tiveram sobre mim, especialmente as mulheres do hip-hop. Eu quero ser uma grande figura e mostrar um lado diferente da feminilidade, isso é importante para mim.

P: E agora, o que vem por aí?

R: Fora a divulgação de She Got Game, vou trabalhar no novo projeto do Kooley High e em meu próximo álbum. Estou superansiosa para terminar esse álbum com Kooley High e compartilhá-lo com o mundo, acho que os ouvintes irão desfrutar de um material incrível. Após esse lançamento vou focar no meu próximo álbum, eu e minha gravadora estamos trabalhando em algo muito bacana. No mínimo, será um ano cheio.